Missões · Guiné-Bissau
Iemberém
Na costa ocidental da África, entre o Senegal e Guiné-Conakry, uma aldeia onde a igreja cresceu ao redor de um pequeno hospital, uma escola e uma rádio comunitária.

O país e o povo
Aqui ainda existe um povo oprimido pelo medo, imposto pelas culturas — em cada etnia existem rituais próprios —, pela corrupção incompreensível, por um clima hostil e pela falta de tudo: emprego, saúde, educação, higiene, amor.
Mas no meio disso tudo, alguns heróis (geralmente anônimos), nacionais ou estrangeiros, que amam a sua pátria de nascimento ou de adoção, decidem se doar, proclamando as boas-novas do Senhor.
A perseguição aos que querem mudar de vida é enorme: açoites com vara, pauladas, esmagamento de dedos, expulsão de casa e da família, perda de filhos, humilhações, ameaça de morte. Assim mesmo, muitos dizem: “podem me matar, mas Jesus eu não abandono jamais”. Isso nos leva a refletir: será que eu resistiria?

Escola
O milagre de um sonho realizado
Realmente um milagre! Se não fossem as misericórdias de Deus, ao enviar irmãos dispostos a contribuir com doações e orações, não passaria de um sonho. Deus ama Guiné-Bissau.
As obras para a construção da escola exigiram força total de todos, chegando à exaustão. As portas, as janelas e as carteiras foram feitas sob a orientação do Jorge, assim como os tijolos e as paredes — com as serras brasileiras que foram nas malas e muito trabalho artesanal.
As inscrições trouxeram um intenso movimento e muitas súplicas por crédito até a colheita do arroz, ou outras formas de pagamento, como trabalho. Mas os professores precisam ser pagos em dinheiro. Os internos, uma média de 25 pessoas, precisam de um saco de arroz (50 kg) por semana, além do restante da comida e do abrigo. Alguns caminham muitos quilômetros, de aldeias distantes, para vir à escola — mas não querem perder a oportunidade. A alegria dos pais na primeira reunião era enorme: “meu filho pode voltar para casa e estudar, além de nos ajudar na plantação”.
A aula inaugural foi muito animada e barulhenta — não podia deixar de ser. Parecia um sonho, agora realidade em Iemberém: aprender uma profissão, “abrir a cabeça para o mundo”, alfabetização e conhecimento para todos.
Saúde
Hospital Bom Samaritano e o ambulatório da Vila Evangélica
Após atender por muitos anos no Centro de Saúde/Hospital Bom Samaritano, a equipe passou a atender no pequeno ambulatório da Vila Evangélica, base da Missão A Fim de Proclamar em Iemberém. Na ausência de médicos na região, os técnicos de enfermagem são autorizados pelo governo a fazer o atendimento básico de saúde.
Muitas grávidas ou doentes, adultos ou crianças, caminham até 32 km — ou vêm de ilhas — buscando ajuda. Muitos são vítimas de semanas de tratamentos “tradicionais” com feiticeiros: gastam o que não têm, sofrem horrores e chegam tarde demais. Mas Deus faz milagres tremendos entre este povo, e tem misericórdia dos que tentam ajudar — como a Vera, que por anos foi conhecida ali como “Dra. Verinha”, referência no combate à malária.
A dificuldade de transporte até a capital, em especial no tempo das chuvas — quando aumentam muito os casos de malária, picadas de cobra e complicações respiratórias —, gera um grande clamor do povo por socorro. O sonho da missão continua sendo encontrar profissionais de saúde dispostos a servir ali.
Informativo · abril de 2014
A igreja em Iemberém
Com o passar dos anos, o Evangelho de Jesus Cristo vem sendo pregado nas aldeias; a igreja cresce e se fortalece. Os primeiros casamentos na Vila Evangélica quebram a rotina: Sumaila e Súncari; Ocante e Hoina. Também Mama Saliu casou-se com Caren Radtke, em Canoas (RS), em agosto de 2012, unindo ainda mais as duas nações.
O presbitério da igreja em Iemberém foi estabelecido por três pastores de etnias diferentes — Ocante (Pepel), Albino (Balanta) e Mama Saliu (Fula) —, consagrados com a bênção do presbitério da Comunidade de Porto Alegre, através do pastor Ismael, juntamente com Jorge Feistler. No ambulatório, Vera, Amarildo e Edda atendiam o povo; Amarildo, a convite da Igreja de Gravataí (RS), formou-se técnico de enfermagem no Brasil e voltou para servir o seu povo — agora também como diácono da igreja.
Com o retorno do casal Mama Saliu e Caren, eles assumiram a coordenação da Vila Evangélica. A escola, sob a direção do professor Ocante e com professores voluntários, continua o seu trabalho. A Missão A Fim de Proclamar, através da sua “fantástica equipe de apoio”, segue divulgando, ofertando e orando pela igreja em Iemberém.
Quer ajudar Guiné-Bissau?
Arroz para os internos da escola, medicamentos para o ambulatório, sustento de professores e pastores locais: toda ajuda chega.


